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Gestão de Obra Artigo Técnico

Fôrmas e Escoramentos para Concreto Armado: Pressão Lateral, Re-escoramento e Prazos de Desforma (NBR 15696 / NBR 6118)

Na execução de estruturas de concreto armado e protendido, as fôrmas de madeira/metálicas e os sistemas de escoramento (cimbramento) são frequentemente tratados como meros "serviços provisórios secundários" do canteir...

Fôrmas e Escoramentos para Concreto Armado: Pressão Lateral, Re-escoramento e Prazos de Desforma (NBR 15696 / NBR 6118)

Na execução de estruturas de concreto armado e protendido, as fôrmas de madeira/metálicas e os sistemas de escoramento (cimbramento) são frequentemente tratados como meros "serviços provisórios secundários" do canteiro de obras. Esse equívoco conceitual é responsável por alguns dos acidentes mais graves da construção civil — como colapsos parciais de lajes durante a concretagem —, além de deformações excessivas irreversíveis (flechas e barrigas no teto) e fissuração precoce de vigas por desforma antecipada ou re-escoramento incorreto.

Uma fôrma não é uma simples caixa de madeira: trata-se de uma estrutura provisória hiperestática de suporte de cargas pesadas, submetida ao peso do concreto fresco ($25\text{ kN/m}^3$), impacto dinâmico do bombeamento, sobrecargas de operários e a pressões hidrostáticas laterais violentas que podem romper gravatas e tensores.

Além disso, em edifícios de múltiplos pavimentos, a pressa em desformar para reaproveitar escoras pode transferir até $2,5\text{ vezes}$ a carga de projeto sobre uma laje jovem recém-concretada que ainda não desenvolveu sua resistência nem seu módulo de elasticidade ($E_{cs}$).

Neste artigo técnico, a Faria Ricotta Construtora disseca o cálculo de pressão lateral do concreto fresco, a engenharia do re-escoramento sucessivo e os prazos científicos de desforma fundamentados nas normas ABNT NBR 15696 (Fôrmas e Escoramentos para Estruturas de Concreto) e ABNT NBR 6118 (Projeto de Estruturas de Concreto).

1. Fôrmas como Estruturas Provisórias Resistentes (NBR 15696)

Conforme a ABNT NBR 15696, o projeto de fôrmas e escoramentos deve contemplar Estados Limites Últimos (segurança contra ruptura e flambagem das escoras) e Estados Limites de Serviço (controle de flechas dos painéis de compensado):

A. Carregamentos Verticais de Projeto

  1. Peso Próprio do Concreto Armado: Adota-se o peso específico de $\gamma_c = 25\text{ kN/m}^3$ ($2.500\text{ kgf/m}^3$).
  2. Peso Próprio do Sistema de Fôrmas: Típico de $0,30\text{ a }0,60\text{ kN/m}^2$ para compensados e vigamento de madeira/alumínio.
  3. Sobrecarga Provisória de Operação e Concretagem:
    • A NBR 15696 exige considerar uma sobrecarga de trabalho móvel de no mínimo $1,0\text{ a }1,5\text{ kN/m}^2$ ($100\text{ a }150\text{ kgf/m}^2$) para trânsito de operários, carrinhos de mão e mangueiras de bomba de concreto.
  4. Forças Horizontais Acidentais: O sistema deve resistir a uma força horizontal mínima de vento e impacto de no mínimo $1%\text{ a }2%$ da carga vertical total, exigindo contraventamento diagonal obrigatório em torres de escoramento com altura superior a $3,00\text{ metros}$.

B. Limite de Flecha dos Painéis de Fôrma

A deformação elástica dos painéis de compensado plastificado sob a carga do concreto fresco é rigorosamente limitada a $f \le L/300$ (ou até $L/500$ em concreto aparente), impedindo ondulações na face inferior de lajes e vigas.

2. A Pressão Lateral do Concreto Fresco em Pilares e Paredes

Em elementos verticais esbeltos (pilares altos, cortinas de contenção e vigas profundas), o concreto fresco atua inicialmente como um fluido denso, gerando pressão lateral hidrostática ($P_{max}$) sobre as fôrmas:

  • Fórmula Fundamental da Pressão Hidrostática:
    $$P = \gamma_c \cdot h$$
  • Fatores de Redução e Equacionamento de Projeto (NBR 15696 / DIN 18218 / ACI 347):
    A pressão lateral máxima não atinge o fundo total se a velocidade de concretagem for moderada, pois o concreto inicia o processo de pega e enrijecimento de baixo para cima. A pressão máxima depende de:
    1. Velocidade de Lançamento ($v$ em $\text{m/h}$): Concretagens ultra-rápidas com caminhão betoneira e bomba de grande vazão ($v > 4\text{ m/h}$) mantêm o concreto líquido por toda a altura, gerando pressões brutais de $60\text{ a }80\text{ kPa}$ ($6\text{ a }8\text{ tf/m}^2$) no pé da fôrma!
    2. Temperatura e Aditivos Retardadores: Temperaturas frias retardam o início de pega, aumentando a altura da coluna líquida e a pressão lateral.
    3. Consistência do Concreto (Slump): Concretos fluidos ou autoadensáveis (CAA) exercem pressão hidrostática integral em quase toda a altura.
  • Segurança das Gravatas e Tirantes de Ancoragem: As gravatas metálicas e as barras de ancoragem roscadas com porca borboleta devem ser calculadas para resistir à tração no terço inferior da fôrma, impedindo o arrombamento e vazamento de concreto.
3. Prazos Científicos de Desforma e Resistência ($f_{ckj}$)

O erro mais comum no canteiro de obras é seguir "regras empíricas de calendário" sem avaliar a temperatura ambiente e a evolução da resistência à compressão do concreto ($f_{ckj}$):

Elemento Estrutural

Prazo Mínimo Normativo (Cimento CP II / Temp. $\ge 18^\circ\text{C}$)

Resistência Mínima Exigida ($f_{ckj}$)

Faces Laterais de Pilares e Vigas

$2\text{ a }3\text{ dias}$

$f_{ckj} \ge 5\text{ a }8\text{ MPa}$ (início imediato da cura úmida)

Fundos de Lajes Curtas ($L \le 4\text{ m}$)

$14\text{ dias}$

$f_{ckj} \ge 70%$ do $f_{ck}$ de projeto

Fundos de Vigas e Lajes de Médio Vão

$14\text{ a }21\text{ dias}$

$f_{ckj} \ge 80%$ do $f_{ck}$

Vigas de Grande Vão ($> 6\text{ m}$) e Balanços

$21\text{ a }28\text{ dias}$

$100%$ do $f_{ck}$ de projeto comprovado em prensa

A. A Regra de Ouro da Retirada do Escoramento

O desmonte das escoras deve ser sempre progressivo e ordenado, partindo do CENTRO DO VÃO em direção aos APOIOS (pilares)!

  • Se o carpinteiro retirar as escoras das extremidades para o meio, a viga fica com apoio suspenso no centro, invertendo momentaneamente a curvatura e dobrando os momentos fletores positivos no meio do vão, provocando trincas de cisalhamento irreversíveis.
  • Em balanços estruturais, a retirada ocorre obrigatoriamente da ponta do balanço em direção ao engaste.
4. Re-escoramento e Escoras Remanescentes em Múltiplos Pavimentos (Anexo C da NBR 15696)

Em edifícios onde as lajes são concretadas em ciclos rápidos (a cada 7 ou 10 dias), a laje inferior recém-desformada ainda é "jovem": possui módulo de elasticidade ($E_{cs}$) reduzido e resistência mecânica incompleta.

Quando o pavimento superior é concretado, o peso de centenas de toneladas do concreto fresco desce pelas escoras diretamente para o pavimento de baixo:

A. Escoras Remanescentes vs. Re-escoramento (Backpropping)

  • Escoras Remanescentes: Mantêm-se escoras originais isoladas aliviando o meio dos vãos sem remover o apoio primário.
  • Re-escoramento (Backpropping): Procedimento correto de engenharia para desforma de ciclos rápidos:
    1. Desforma-se a laje por completo, permitindo que ela assuma seu próprio peso e sofra sua deformação elástica natural imediata.
    2. Em seguida, instalam-se escoras metálicas de re-escoramento em contato suave com o teto (aperto manual sem forçar com alavancas ou cunhas).
    3. Repete-se esse processo em pelo menos 2 a 3 pavimentos inferiores alinhados verticalmente.
    4. Dessa forma, quando a laje do topo for concretada, a carga é dividida harmonicamente entre 3 pavimentos consolidados, impedindo que uma laje de 7 dias suporte sozinha o peso de duas lajes!
5. Aplicação de Contraflechas de Projeto

Para vigas e lajes de grandes vãos ($> 6\text{ metros}$), a ABNT NBR 6118 prescreve a aplicação de Contraflechas nas fôrmas:

  • A fôrma de madeira é montada com uma elevação central intencional (curvatura para cima de $L/500$ a $L/1000$).
  • Após a desforma final e a ocorrência da deformação lenta por fluência (creep) ao longo dos primeiros meses de uso, a laje assenta e atinge a cota milimétrica perfeitamente plana, sem barrigas visíveis no teto.
6. Rigor Metrológico e Segurança na Faria Ricotta Construtora

Na Faria Ricotta Construtora, o sistema de fôrmas e escoramento é tratado com rigor estrutural absoluto:

  • Projetos Executivos de Cimbramento: Dimensionamento de cargas por escora metálica telescópica, locação de torres de travamento e cálculo de contraflechas integrados no software TQS.
  • Controle Tecnológico com Corpos de Prova Locais: A desforma nunca segue "achismos": rompemos corpos de prova curados na mesma condição da obra para liberar a desforma com laudo técnico e Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) registrada no CREA-MG.

Responsável Técnico: Person Eng. Flávio de Faria Ricotta (CREA-MG 46337MG / M.Sc. Engenharia de Produção)
Atuação: Fôrmas e Escoramentos (ABNT NBR 15696), Cálculo Estrutural no TQS (NBR 6118), Controle Tecnológico do Concreto e Gestão de Obras.
Atendimento: Itajubá, Serra da Mantiqueira e Sul de Minas Gerais. Engenharia de precisão com segurança estrutural inabalável do molde ao acabamento final!

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